{"id":20253,"date":"2014-04-16T20:36:00","date_gmt":"2014-04-16T23:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/?p=20253"},"modified":"2014-04-16T20:50:04","modified_gmt":"2014-04-16T23:50:04","slug":"estabulagem-em-competicoes-de-hipismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/estabulagem-em-competicoes-de-hipismo\/","title":{"rendered":"Estabulagem em competi\u00e7\u00f5es de hipismo"},"content":{"rendered":"<p>O homem passou a montar cavalos h\u00e1 muitos e muitos anos atr\u00e1s. No inicio (\u00e9poca antes de Cristo) o cavalo era o principal transporte e assim foi usado e domesticado at\u00e9 que inventaram os carros. De l\u00e1 para c\u00e1 o cavalo deixou de ser um meio de transporte e passou a ser domesticado. Ent\u00e3o passou a ser\u00a0 criado\u00a0 e foram desenvolvidos esportes, em um primeiro momento como \u201chobby\u201d.<\/p>\n<p>Acontece que hoje em dia este \u201chobby\u201d criou 3 modalidades ol\u00edmpicas e mais uma infinidade de modalidades n\u00e3o ol\u00edmpicas. O setor equestre cresce anualmente mais do que muitos setores da economia. H\u00e1 gera\u00e7\u00e3o de empregos, comercio (exterior inclusive), novos neg\u00f3cios sendo abertos diariamente para atender uma grande demanda.<\/p>\n<p>Competi\u00e7\u00f5es acontecem semanalmente. O n\u00famero de participantes destas competi\u00e7\u00f5es \u00e9 fant\u00e1stico. H\u00e1 concursos entre ra\u00e7as, associa\u00e7\u00f5es, federa\u00e7\u00f5es, regionais, estaduais, nacionais e internacionais. O calend\u00e1rio anda complicado de ser escolhido. Muitos competidores acabam escolhendo as provas, fazendo um calend\u00e1rio no ano para poder planejar o capital, performance do conjunto e demais compromissos rotineiros como feriados, anivers\u00e1rios, etc.<\/p>\n<p>Foram criados grandes clubes por todo o pa\u00eds. Estes s\u00e3o hoje considerados modelos de como devem ser centros esportivos equestres.<\/p>\n<p>As competi\u00e7\u00f5es j\u00e1 perderam seus aspectos de amador e ganharam forma\u00a0 profissional. H\u00e1 novas profiss\u00f5es que surgiram para conseguir ter competi\u00e7\u00f5es que atendam o esperado pelo Mercado. H\u00e1 delegados t\u00e9cnicos, diretores de federa\u00e7\u00f5es, clubes, associa\u00e7\u00f5es, ju\u00edzes especializados, entre outros.<\/p>\n<p>Uma das modalidades equestres que mais tem se desenvolvido aqui no Brasil desde os Jogos Ol\u00edmpicos de Atlanta em 1996 \u00e9, sem sombra de d\u00favida, o Salto.<\/p>\n<p>Infelizmente, neste m\u00eas de abril, em uma destas grandes h\u00edpicas, no estado do Rio de Janeiro, \u00a0houve a morte de 2 cavalos, devido a uma descarga el\u00e9trica em um conjunto de baias provis\u00f3rias, chamado de circo, montado para estabulagem de competi\u00e7\u00f5es.<a href=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/cavalos-morrem-em-cocheiras-montadas-para-concurso-na-hipica-rio-de-janeiro\/\"> (veja aqui o post sobre esse acontecimento)<\/a><\/p>\n<p>O interessante \u00e9 que muitas pessoas s\u00e3o do meio h\u00edpico e n\u00e3o estavam presentes est\u00e3o chocadas com tal fato. Todos est\u00e3o perguntando de quem \u00e9 a culpa, e n\u00e3o est\u00e3o se preocupando muito com o qual foi o motivo que levou estes cavalos \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o para acalmar todo o meio equestre, a <strong>Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Hipismo<\/strong> (CBH) \u00a0publicou a Diretriz T\u00e9cnica de n\u00famero 01 2014 obrigando que em\u00a0 todos os concursos onde tenha que ser armado as baias provis\u00f3rias, o comit\u00ea organizador coloque a disposi\u00e7\u00e3o um eletricista e um bombeiro para a instala\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do circo.<\/p>\n<p>Sabem, na verdade a CBH n\u00e3o tinha feito esta diretriz anteriormente porque pelas Leis em vig\u00eancia em nosso pa\u00eds, sempre foi obrigat\u00f3rio que estes profissionais (eletricista e bombeiro) estivessem devidamente nomeados e em \u201cplant\u00e3o\u201d durante estes eventos.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o fala muito mais que isso, diga-se de passagem. Todo eletricista, al\u00e9m de\u00a0 ter seu curso de eletricista, deve tamb\u00e9m possuir um curso de seguran\u00e7a em instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas, segundo a Norma Regulamentadora do Minist\u00e9rio do Trabalho de n\u00famero 10. Al\u00e9m disso, esta mesma Norma, ainda fala que todos que forem at\u00e9 mesmo trocar uma l\u00e2mpada devem participar deste treinamento. Este treinamento, por sua vez, deve ser ministrado por profissional da \u00e1rea de engenharia de seguran\u00e7a do trabalho, um eletricista e um m\u00e9dico do trabalho. Esta norma tamb\u00e9m diz como deve ser feita toda a instala\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, desde sua alimenta\u00e7\u00e3o no quadro, at\u00e9 cada l\u00e2mpada ou tomada dentro de cada baia. Tamb\u00e9m pro\u00edbe o uso de benjamins, tamb\u00e9m chamados de \u201cT\u201d, solicitando substitu\u00ed-los por filtros de linha, assim como prescreve como os fios devem ser fixados e como devem sair do Quadro de For\u00e7a, al\u00e9m de deixar claro como devemos ter a prote\u00e7\u00e3o a raios e descargas el\u00e9tricas (isolamento).\u00a0 Com rela\u00e7\u00e3o ao material e forma de se montar o circo, h\u00e1 a Norma Regulamentadora de n\u00famero 18 que tamb\u00e9m d\u00e1 algumas orienta\u00e7\u00f5es como local de sanit\u00e1rios, de alimenta\u00e7\u00e3o e dormit\u00f3rios para pessoas, entre outros.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Corpo de Bombeiros possui uma ampla legisla\u00e7\u00e3o dizendo como devem ser implantadas medidas de preven\u00e7\u00e3o dentro das empresas (sim, uma h\u00edpica \u00e9 uma empresa, possuidora de CNPJ e que deve atender a toda esta legisla\u00e7\u00e3o), bem como temos a Norma Regulamentadora do Minist\u00e9rio do Trabalho de n\u00famero 23 que tamb\u00e9m diz que \u00e9 necess\u00e1rio ter medidas implantadas para combate e preven\u00e7\u00e3o a inc\u00eandio. L\u00f3gico que dentro destes circos temos que ter, pelo menos, extintores de inc\u00eandio em n\u00famero suficiente para sanar quaisquer problemas.<\/p>\n<p>Cabe as empresas, nesse caso h\u00edpicas que est\u00e3o promovendo a competi\u00e7\u00e3o, atender a toda a legisla\u00e7\u00e3o como uma medida de prevenir acidentes como o ocorrido e n\u00e3o meramente para evitar ser multado em casos de fiscaliza\u00e7\u00f5es ou de acidentes.<\/p>\n<p>Devido a atividade econ\u00f4mica ser a pr\u00e1tica de um esporte caro, muitas vezes \u00e9 dito para montar isso ou aquilo \u201cda maneira h\u00edpica\u201d que nada mais \u00e9 que uma maneira simples, provis\u00f3ria e que, normalmente, n\u00e3o atende as Normas.<\/p>\n<p>Outra fala muito comum \u00e9: Vamos terceirizar que a\u00ed todos os problemas s\u00e3o de responsabilidade da empresa terceirizada. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdade. Segundo a legisla\u00e7\u00e3o vigente h\u00e1 a corresponsabilidade. Portanto se o seu terceirizado errou, ou n\u00e3o atendeu a legisla\u00e7\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 encrencado junto com ele.<\/p>\n<p>Faz-se hora de pararmos de pensar como amadores e passarmos a enxergar o meio equestre como Profissional, como ele realmente \u00e9.<\/p>\n<p>Com isso \u00e9 muito importante n\u00e3o fazer mais o que \u00e9 comum, barato e amador e passar a lidar com estes centros equestres como empresas que devem atender a toda a legisla\u00e7\u00e3o por se tratar de vida de seus clientes, funcion\u00e1rios e, principalmente, cavalos alojados.<\/p>\n<p>A culpa do acidente que trouxe tanta perplexidade no Rio n\u00e3o deve ser dada a uma pessoa. Isso n\u00e3o trar\u00e1 os cavalos de volta, infelizmente.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de passarmos a agir preventivamente, j\u00e1 a partir deste acidente, procurando as causas e n\u00e3o quem \u00e9 o culpado. Ao se achar as causas precisamos analisar e implantar medidas de controle para que NUNCA mais esse ou outros acidentes com cavalos aconte\u00e7am em eventos como o do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Sabem, Frank Bird em 1978 j\u00e1 dizia que \u201cos mesmos princ\u00edpios efetivos de administra\u00e7\u00e3o podem ser usados para eliminar ou controlar muitos, sen\u00e3o todos, os incidentes comprometedores que afetam a produ\u00e7\u00e3o e qualidade&#8221;. Isso significa que ao prevenir e controlar os incidentes por meio do controle de perdas, toda a empresa (pessoas, equipamentos, materiais e ambientes) estar\u00e1 segura. Assim, al\u00e9m dos acidentes com les\u00f5es pessoais e dos cavalos, passa-se a considerar tamb\u00e9m as perdas decorrentes dos danos \u00e0 propriedade e ao neg\u00f3cio da empresa.<\/p>\n<p>Assim, passa-se a compreender que a ocorr\u00eancia de acidentes provoca desde perdas pequenas at\u00e9 as maiores quer do ponto de vista humano como os materiais, sociol\u00f3gicos, humanit\u00e1rios e econ\u00f4micos. A distribui\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia dos acidentes em termos da gravidade que apresentam se distribuem em forma de uma pir\u00e2mide que chamamos de Pir\u00e2mide de Frank Bird Jr.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/texto_priscila1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-20254\" alt=\"texto_priscila1\" src=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/texto_priscila1.jpg\" width=\"404\" height=\"184\" srcset=\"https:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/texto_priscila1.jpg 577w, https:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/texto_priscila1-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 404px) 100vw, 404px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A pir\u00e2mide de Frank Bird Jr. indica que a cada 600 incidentes (quase acidentes) , 30 s\u00e3o de perdas materiais, 10 acidentes s\u00e3o com les\u00e3o leve e 1 acidente \u00e9 com les\u00e3o grave ou fatal. Diante desse quadro, \u00e9 poss\u00edvel perceber que \u00e9 tolice direcionar os esfor\u00e7os de preven\u00e7\u00e3o de riscos para poucas ocorr\u00eancias que acabam, somente, em les\u00f5es s\u00e9rias ou incapacitantes ou fatais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecido como Iceberg de Heinrich, esse modelo parte do princ\u00edpio de que os custos envolvidos em acidentes est\u00e3o dentro de uma rela\u00e7\u00e3o 4:1 quando se consideram seus custos indiretos (gastos assumidos pelas empresas em consequ\u00eancia de perdas indiretas dos acidentes ocorridos) e diretos (quantia total dos benef\u00edcios pagos pelas companhias de seguro). Ou seja, o custo indireto dos acidentes ocorridos equivale a 4 vezes seu custo direto.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/texto_priscila2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-20255\" alt=\"texto_priscila2\" src=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/texto_priscila2.jpg\" width=\"227\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/texto_priscila2.jpg 227w, https:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/texto_priscila2-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 227px) 100vw, 227px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A ponta do iceberg representa aquela pequena parte que ressalta em termos de custos, quando um acidente acontece. O custo menor est\u00e1 na parte superior e vis\u00edvel do iceberg, que corresponde a 1, por exemplo. A esta parte correspondem:<\/p>\n<ul>\n<li>Custos m\u00e9dicos para a les\u00e3o ou doen\u00e7a<\/li>\n<li>Custos do cavalo<\/li>\n<li>Indeniza\u00e7\u00e3o correspondente \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o da perda sofrida.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes s\u00e3o os menores custos: na parte imersa e mais superficial, h\u00e1 uma \u00e1rea bem maior que envolve uma perda com um custo que corresponde de 5 a 50. E corresponde a fatores como:<\/p>\n<ul>\n<li>Danos nas constru\u00e7\u00f5es<\/li>\n<li>Danos nas ferramentas e equipamentos<\/li>\n<li>Danos em produtos e materiais<\/li>\n<li>A interrup\u00e7\u00e3o e do ritmo da produ\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Custos legais<\/li>\n<li>Custos com suprimentos e equipamentos de emerg\u00eancia<\/li>\n<li>Tempo de an\u00e1lise do acidente<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na parte mais profunda do iceberg temos ainda outro n\u00edvel de perdas que corresponde ao custo de 1 a 3 referente a:<\/p>\n<ul>\n<li>Custo da substitui\u00e7\u00e3o dos acidentados e do treinamento<\/li>\n<li>Hora extra<\/li>\n<li>Tempo extra de supervis\u00e3o<\/li>\n<li>Burocracia<\/li>\n<li>Perda de neg\u00f3cios e oportunidades<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim, qualquer acidente traz perdas vis\u00edveis e outras muito maiores &#8211; invis\u00edveis &#8211; mas de grande impacto no Mercado. Por essa teoria, fica claro que desenvolver programas de seguran\u00e7a que enfoquem apenas os custos diretos \u00e9 perder uma grande oportunidade de evitar gastos muito maiores.<\/p>\n<p>Por esses motivos que \u00e9 necess\u00e1rio prevenir acidentes dentro das h\u00edpicas, haras, clubes, coudelarias, entre outros. As consequ\u00eancias desses acidentes e incidentes que ocorrem por agirmos de forma amadora (pensando que o local onde nossos queridos cavalos moram \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de nossas casas) faz com que coloquemos o crescimento do meio em d\u00favida e com uma velocidade infinitamente menor, al\u00e9m de fazer com que muitos novos adeptos n\u00e3o entrem ou n\u00e3o permane\u00e7am por muitos anos praticando estes esportes.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de mudar de atitude! \u00c9 hora de se profissionalizar e seguir tudo que j\u00e1 existe!!<\/p>\n<p><em><strong>Escrito por: Priscila Thomazelli \u2013 Atleta, Instrutora e Treinadora de Adestramento \u2013 Engenheira Civil, de Seguran\u00e7a do Trabalho, Meio Ambiente e Qualidade.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/baias_moveis1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-20257\" alt=\"baias_moveis1\" src=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/baias_moveis1.jpg\" width=\"600\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/baias_moveis1.jpg 600w, https:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/baias_moveis1-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O homem passou a montar cavalos h\u00e1 muitos e muitos anos atr\u00e1s. No inicio (\u00e9poca antes de Cristo) o cavalo era o principal transporte e assim foi usado e domesticado at\u00e9 que inventaram os carros. De l\u00e1 para c\u00e1 o cavalo deixou de ser um meio de transporte e passou a ser domesticado. 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