{"id":16311,"date":"2013-08-14T15:22:31","date_gmt":"2013-08-14T18:22:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/?p=16311"},"modified":"2014-07-13T19:40:06","modified_gmt":"2014-07-13T22:40:06","slug":"meu-nome-e-mancha-sou-um-cavalo-da-escolinha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/meu-nome-e-mancha-sou-um-cavalo-da-escolinha\/","title":{"rendered":"Um cavalo da escolinha"},"content":{"rendered":"<p>Esse m\u00eas a escritora <strong>Neyd<\/strong> <strong>Montingelli <\/strong>escreveu sobre um cavalo que tem voca\u00e7\u00e3o para ensinar os jovens cavaleiros e amazonas. Veja abaixo o conto.<\/p>\n<div><script src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\" async=\"\"><\/script><!-- Hipismo&#038;co_468 --> <ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: inline-block; width: 468px; height: 60px;\" data-ad-client=\"ca-pub-3864504410962450\" data-ad-slot=\"2893279329\"><\/ins><script>\/\/ <![CDATA[\n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n\/\/ ]]><\/script><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-16312\" alt=\"mancha1a\" src=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1a.jpg\" width=\"500\" height=\"345\" srcset=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1a.jpg 500w, http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1a-300x207.jpg 300w, http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1a-434x300.jpg 434w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Meu nome \u00e9 Mancha,\u00a0 sou um cavalo da escolinha<\/strong><\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 Mancha, mas eu nasci Archibald\u00a0 II e fui muito paparicado at\u00e9 eu n\u00e3o atingir a altura e a pelagem que todos queriam e at\u00e9 descobrirem que eu era filho do cavalo do arado e n\u00e3o do garanh\u00e3o do Haras. Tamb\u00e9m, meu pai tinha muito mais charme e l\u00e1bia que aquele metido ensebado.<\/p>\n<p>Bem, n\u00e3o sendo filho do ensebado, n\u00e3o pude mais ficar no cercado chique, com os meninos comportados, comendo aquelas gostosuras. Fui morar l\u00e1 com a galera do fund\u00e3o. Pensando bem, era divertido enquanto eu era pequeno. Ficava solto com as galinhas, as ovelhas, as cabras. Podia comer o que quisesse. Ganhava um pouco de uma ra\u00e7\u00e3o bem ruim, mas eu j\u00e1 tinha me fartado de comer o tenro capim dos campos e nem me importava, pois eu era livre e andava por tudo.<\/p>\n<p>Quando cresci, foi um pouco triste e dolorido. Uns homens de cara amarrada vinham todos os dias e me batiam com umas varas s\u00f3 para poderem me montar. Eu n\u00e3o queria, mas tive que deixar, afinal eles \u00e9 que mandavam, foi o que o aprendi a duras surras. Depois acostumei. Achei melhor ficar assim, bem mansinho, da\u00ed ningu\u00e9m judia de ningu\u00e9m. No final at\u00e9 d\u00e3o uns agrados ou comida melhor.<\/p>\n<p>E os anos passaram. Eu puxei arado, carro\u00e7a, juntei gado, levei gente, trouxe gente, fiquei na chuva, fiquei no sol, comi muito, comi pouco,\u00a0 menos do que mais, namorei e at\u00e9 tive um filho. \u00c9 a vida de um cavalo de trabalho. Um dia veio uma mulher e ficou me examinando. No dia seguinte eu fui parar em uma H\u00edpica na cidade. Achei muito estranho.<\/p>\n<p>O lugar era grande, cheio de cavalos, s\u00f3 que eles n\u00e3o ficavam soltos como l\u00e1 no Haras. Eles ficavam nas baias. Eu tamb\u00e9m fui morar em uma baia. Um quartinho pequeno forrado com cepilho. Em um canto tinha ra\u00e7\u00e3o cheirosa e no outro tinha capim seco mas era muito bom. Comi quase tudo. A \u00e1gua era fresca, igual do rio e por mais que eu tomasse n\u00e3o acabava. Gostei do lugar.<\/p>\n<p>Fiquei ali, sem fazer nada, s\u00f3 comendo. Estranho.<\/p>\n<p>Um homem veio e me levou para um outro lugar e me deu um banho. Nunca tinha tomado banho assim. S\u00f3 tinha entrado no rio. Banho com escova e sab\u00e3o, nunca. Gostoso! Fiquei no sol, secando.<\/p>\n<p>Depois, colocaram ferraduras novas, foi um al\u00edvio. Aquelas velhas do\u00edam meus cascos, pois estavam gastas. N\u00e3o carreguei nada, n\u00e3o puxei nada. Estou achando estranho.<\/p>\n<p>No dia seguinte um outro homem esquisito veio me buscar. Falava comigo como se fosse meu amigo, gostei dele. O cara que me deu banho j\u00e1 era meu chapa e esse agora tamb\u00e9m. Estou gostando daqui!<\/p>\n<p>Os dois colocaram uma sela diferente em mim. Bem menor, mais leve, nem apertava. L\u00e1 no Haras eles apertavam tanto que do\u00eda a pele, tinha at\u00e9 um cobertorzinho em baixo, ficou macio. Eu abri a boca para receber o brid\u00e3o e para minha surpresa n\u00e3o machucou nada. Era confort\u00e1vel.<\/p>\n<p>O cara novo foi falando comigo e me levou pelo corredor entre as baias. S\u00f3 ent\u00e3o eu fui conhecer os meus colegas. Fui olhando os outros cavalos meio de lado, pois ainda n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m. S\u00f3 com o tempo \u00e9 que fui fazer amizade com todos.<\/p>\n<p>O cara novo, descobri, o nome dele \u00e9 Professor, disse que eu vou me chamar Mancha, por causa da marca branca na minha testa. Gostei do nome. Ele at\u00e9 mandou escreverem o nome no meu quarto. Eu estou chique mesmo.<\/p>\n<p>Chegamos em um grande cercado. O Professor montou e come\u00e7amos a andar, andar, andar. Eu obedeci em tudo. Ele gostou. Dia ap\u00f3s dia, ele me ensinou muitos truques: passar por umas varas no ch\u00e3o, pular umas cerquinhas, ir para frente, parar, seguir os outros cavalos, obedecer aos comandos. Gostei de tudo. Depois de cada ordem que eu acertava ele passava a m\u00e3o no meu pesco\u00e7o e isto era muito bom. Era divertido fazer aquelas coisas que ele chamava de trabalho. Eu entendia por trabalho outra tarefa.<\/p>\n<p>Depois de um tempo ele trouxe uma menina de cabelos encaracolados perto de mim. Gostei da menina. Ela olhou bem nos meus olhos. Passou a m\u00e3o no meu pesco\u00e7o e na minha testa. Depois o Professor ajudou a menina a montar e ela passou a fazer aqueles exerc\u00edcios que ele fazia. Era gostoso trabalhar com a menina porque eu sentia o amor dela por mim.<\/p>\n<p>Depois de um tempo, um menino bochechudo tamb\u00e9m veio montar. Depois mais outro, mais outro, mais outro. Todos gostavam de mim. O Mancha \u00e9 o cavalo das crian\u00e7as. Iebaaaa.<\/p>\n<p>O tempo j\u00e1 passou. J\u00e1 faz muitos anos que estou aqui na Escolinha da H\u00edpica. Ainda sou o Mancha das crian\u00e7as. Nas competi\u00e7\u00f5es sou disputado e o Professor tem que fazer sorteio entre as crian\u00e7as para saber quem vai saltar comigo, sen\u00e3o eu teria que saltar 10 vezes no mesmo dia. Por mim tudo bem, mas j\u00e1 estou ficando velho e h\u00e1 o desgaste n\u00e9?<\/p>\n<p>Sabe o que eu sinto? As crian\u00e7as me amam, amam, brigam por mim nas competi\u00e7\u00f5es, tiram fotos, ganham trof\u00e9us e medalhas comigo e depois quando ganham os seus cavalos e sobem para o outro n\u00edvel, esquecem do velho Mancha. Nunca mais vem aqui dar um \u201cOI\u201d. Nunca mais vem aqui trazer uma cenourinha, uma ma\u00e7\u00e3zinha ou tirar uma fotografia depois de mocinhos ou adultos.<\/p>\n<p>Mas, \u00e9 a vida n\u00e9? \u00c9 o crescimento. Essas crian\u00e7as passaram de fase. Acho que o Mancha aqui ajudou e eu vou continuar a ser como sou: um cavalo feliz em contribuir para crescimento da carreira do atleta H\u00edpico.<\/p>\n<p><em>\u00a0-Vai meu menino e minha menina, vai trotando para o seu futuro que o Mancha torce por voc\u00ea!<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-16315\" alt=\"mancha1\" src=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1.jpg\" width=\"600\" height=\"170\" srcset=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1.jpg 600w, http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1-300x85.jpg 300w, http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/mancha1-500x141.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><em>Conto de Neyd M.M.Montingelli.<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Neyd nasceu e mora em Curitiba, casada, tem 4 filhas e 1 neto, formada em Psicologia, com especializa\u00e7\u00f5es em Nutri\u00e7\u00e3o, Queijos, Leite e outros cursos na \u00e1rea de animais. J\u00e1 teve cria\u00e7\u00e3o de Cabras e um Latic\u00ednio. \u00c9 aposentada pela Caixa Econ\u00f4mica e agora escreve sobre a fam\u00edlia, cr\u00f4nicas e contos tendo 8 livros j\u00e1 publicados.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Fotos: Jota Design por JuRibas<br \/>\nModelos: Fabiana Amaral e SS Neon<br \/>\n<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse m\u00eas a escritora Neyd Montingelli escreveu sobre um cavalo que tem voca\u00e7\u00e3o para ensinar os jovens cavaleiros e amazonas. Veja abaixo o conto. 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