{"id":14947,"date":"2013-05-27T17:35:06","date_gmt":"2013-05-27T20:35:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/?p=14947"},"modified":"2014-07-13T19:38:57","modified_gmt":"2014-07-13T22:38:57","slug":"a-menina-que-sonhava-com-um-cavalo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/a-menina-que-sonhava-com-um-cavalo\/","title":{"rendered":"A menina que sonhava <br>com um cavalo"},"content":{"rendered":"<p><em>O <strong>Hipismo&amp;Co<\/strong> agora tem uma se\u00e7\u00e3o de contos escritos pela colaboradora <strong>Neyd M.M.Montingelli<\/strong>. O primeiro conto \u00e9 sobre uma menina que sonhava em ter um cavalo.<\/em><\/p>\n<div><script src=\"\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\" async=\"\"><\/script><!-- Hipismo&#038;co_468 --> <ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: inline-block; width: 468px; height: 60px;\" data-ad-client=\"ca-pub-3864504410962450\" data-ad-slot=\"2893279329\"><\/ins><script>\/\/ <![CDATA[\n(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n\/\/ ]]><\/script><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-14966\" src=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho11-1024x568.jpg\" alt=\"menina_sonho1\" width=\"584\" height=\"323\" srcset=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho11-1024x568.jpg 1024w, http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho11-300x166.jpg 300w, http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho11-500x277.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>A Menina que sonhava com um cavalo<\/strong><\/p>\n<p>-Sonhei com um cavalo preto brilhante que estava na praia e a \u00e1gua espirrava enquanto ele galopava pelas ondas. Eu chamei e ele veio pertinho de mim. Senti o bafo dele no meu rosto.- A menina falava sorrindo.<\/p>\n<p>-Credo m\u00e3e, eu n\u00e3o aguento mais a Melany. Ela fala tanto de cavalo que at\u00e9 enche. Agora vai dar para sonhar com esses bichos? Se fosse eu falando do gato que eu quero voc\u00eas j\u00e1 estavam me criticando&#8230;<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a discuss\u00e3o cada vez que a fam\u00edlia est\u00e1 reunida e Melany vem falar de sua verdadeira paix\u00e3o pelos equinos. A irm\u00e3 Bruna fica irritada porque todos prestam aten\u00e7\u00e3o nos desenhos, nos recortes, nos sonhos da menina de cabelos compridos e olhos que sorriem. A jovem n\u00e3o entende. Por que escutam a pirralha e nem d\u00e3o aten\u00e7\u00e3o ao que ela quer?<\/p>\n<p>-Eu queria apenas um gatinho. Ei, voc\u00eas, fam\u00edlia, olha eu estou aqui, Bruna, lembram? A outra filha. Deixa, esque\u00e7am, ou melhor, continuem como est\u00e1.- Bruna levanta-se e sai da sala batendo o p\u00e9, trancando-se no quarto.<\/p>\n<p>O pai e a m\u00e3e apenas entreolham-se. No caso de Bruna, discutir n\u00e3o era a melhor solu\u00e7\u00e3o. Eles acharam melhor o sil\u00eancio. No dia seguinte talvez Bruna mudasse de opini\u00e3o a esse respeito. Ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>O s\u00e1bado amanheceu horr\u00edvel. Chuva e frio como era comum nessa \u00e9poca do ano em Curitiba. L\u00e1 pelas 10 horas o pai volta do centro da cidade com uma caixa e um embrulho e deixa na cozinha. A mesa estava arrumada para um grande caf\u00e9 da manh\u00e3. As meninas entram na cozinha e at\u00e9 se espantam em ver aquela fartura.<\/p>\n<p>-Nossa, estamos comemorando o qu\u00ea? \u2013Bruna senta e espera a resposta.<\/p>\n<p>Os pais come\u00e7am a servir p\u00e3es, bolos, suco e a conversar animadamente. Todos est\u00e3o contentes. O pai levanta e entrega para Bruna a enorme caixa. Quando ela abre, encontra um filhote de gato persa branco. Ela nem sabe o que fazer, chora, ri, abra\u00e7a o pai, a m\u00e3e, a irm\u00e3. O embrulho era para Melany, dentro o livro de Monty Roberts, O homem que ouve cavalos. Depois de longos minutos paparicando o gato, leitura r\u00e1pida do livro e em meio a alegria das duas irm\u00e3s, os pais tem algo a dizer.<\/p>\n<p>As meninas nem notam, mas a not\u00edcia n\u00e3o ser\u00e1 muito atrativa para duas meninas de cidade grande . Eles v\u00e3o morar em uma fazenda, em Tibagi, a 200km de Curitiba. O pai ser\u00e1 o administrador financeiro desta propriedade rural, com um sal\u00e1rio muito bom, casa para a fam\u00edlia e todos os benef\u00edcios. Os presentes foram o suficiente para tornar a informa\u00e7\u00e3o menos ruim.<\/p>\n<p>As semanas passam e logo eles est\u00e3o acomodados na enorme casa em meio a quil\u00f4metros de pastagens, som de cachoeira, piados, latidos. Bem ao longe, mugidos do gado.<\/p>\n<p>As promessas de uma vida melhor, sem os sacrif\u00edcios, as economias, deixam a fam\u00edlia quase conformada com o novo ambiente. Os sons s\u00e3o completamente diferentes, o colorido \u00e9 outro, o ar at\u00e9 d\u00f3i quando \u00e9 respirado, de t\u00e3o puro, a \u00e1gua \u00e9 doce demais e j\u00e1 sai gelada da torneira; as frutas tem um sabor de quero mais e est\u00e3o ali, na porta da cozinha.<\/p>\n<p>O \u00f4nibus da fazenda passa cedinho, leva todas as crian\u00e7as dos funcion\u00e1rios at\u00e9 o Col\u00e9gio Estadual ou para a Creche Municipal. Ao todo s\u00e3o 14 crian\u00e7as dentro da fazenda.<br \/>\nMelany adorou a escola. Fez muitos amigos e gostou muito da professora. Para Bruna estava sendo dif\u00edcil o entrosamento, mas um dos colegas da turma estava conseguindo conversar com ela aos poucos.<\/p>\n<p>Melany chegava em casa cada dia mais feliz e com novidades. Agora era a vez das galinhas. Estava apaixonada pelas galinhas e pintinhos da fazenda. Passava a tarde na casa dos funcion\u00e1rios procurando galinhas que estivessem com seus pintinhos pelos quintais.<\/p>\n<p>Nesta busca, entrou em um barrac\u00e3o velho atr\u00e1s da casa do mais antigo funcion\u00e1rio da fazenda porque escutou um barulho e achou que era uma galinha choca. Foi bem quietinha e abriu uma pequena porta nos fundos. O enorme barrac\u00e3o estava vazio e limpo. Estranhou em ver aquele desperd\u00edcio de espa\u00e7o, t\u00e3o bem cuidado. Sentiu cheiro de estrume, de pelo de animal, mas n\u00e3o viu nenhum. O barrac\u00e3o era arejado e claro, bem alto, com apenas um cercado em um canto. Viu alguns montinhos de estrume de cavalo:<\/p>\n<p>-Ah, ent\u00e3o \u00e9 da\u00ed o cheiro. Mas cad\u00ea o cavalo? Ser\u00e1 que est\u00e1 l\u00e1 fora pastando? \u2013 Pensou a menina.<\/p>\n<p>Deu mais alguns passos quando uma nuvem de poeira levantou e do canto, por de tr\u00e1s do cercado, surge um enorme cavalo preto bufando como um monstro, investindo contra ela. O susto foi enorme! Ela apenas abaixou-se e ficou acocorada, com as m\u00e3os na cabe\u00e7a, enquando a fera negra saltava e coiceava a sua volta. Passados alguns intermin\u00e1veis segundos. O cavalo parou e voltou para o cercado. Melany nem pestanejou. Levantou-se, correu para a pequena sa\u00edda. Fechou cuidadosamente a portinha e ficou ali, com o cora\u00e7\u00e3o saltando mais que aquele cavalo. Sentou-se em uma pilha de troncos ao lado da parede para poder respirar melhor.<\/p>\n<p>Estava com a cabe\u00e7a encostada na parede quando sentiu o bafo do cavalo na sua orelha, por entre as frestas da parede. Novamente o seu cora\u00e7\u00e3o veio na boca e ela saltou dos troncos. Ficou ali olhando a parede. Viu a silhueta do cavalo. Os dois ficaram se encarando.<\/p>\n<p>De repente o cavalo vira-se e sai dali.<\/p>\n<p>A menina vai mais perto e fica olhando pelas frestas. A cena que v\u00ea \u00e9 maravilhosa! Um cavalo preto, enorme, com cauda e crina muito longas e emaranhadas, saltando e correndo naquele espa\u00e7o vazio do barrac\u00e3o. Lindo, lindo.<\/p>\n<p>-Nossa! \u00c9 o cavalo que aparece nos meus sonhos. \u00c9 ele sim.-Melany fala baixinho.<br \/>\nEla ficou ali admirando aquela maravilha negra at\u00e9 o sol ir esconder-se atr\u00e1s do morro e o c\u00e9u ficar t\u00e3o vermelho que parecia pintura de crian\u00e7a. Ao dar-se conta disso, suas pernas come\u00e7aram a doer pelo contato com as t\u00e1buas \u00e1speras.<\/p>\n<p>-Tchau negro dos meus sonhos. Dessa vez vou sonhar com voc\u00ea de verdade.-A menina fala com o cavalo, despedindo-se.<\/p>\n<p>O cavalo para com os saltos e olha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 menina, como se soubesse que ela estava l\u00e1 e vai para o cercado. O show acabou. Melany vai contente para casa.<\/p>\n<p>\u00c0 mesa do jantar, cada um tem uma novidade para contar e todos esperam que a menina comece a falar dos pintinhos, pois foi isso o assunto dos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>-Eu vi o cavalo dos meus sonhos.-Melany fala sonhadoramente.<\/p>\n<p>-De novo n\u00e3o! \u2013 Bruna, j\u00e1 vai falando em tom bravo.- Essa menina vai recome\u00e7ar? Achei que tinha sarado dessa DOEN\u00c7A.<\/p>\n<p>-Pode parar Bruna. Deixa a sua irm\u00e3.-A m\u00e3e interv\u00e9m.<\/p>\n<p>-Chega todo mundo. Amanh\u00e3 voc\u00eas contam, hoje eu quero ver o Atletiba bem sossegado.-<\/p>\n<p>O pai levanta e vai para a sala, esperar pelo grande jogo de futebol.<\/p>\n<p>As tr\u00eas ficam em sil\u00eancio na cozinha, lavando os pratos.<\/p>\n<p>J\u00e1 no quarto, Melany busca pelo livro de Monty Robert que ganhou do pai antes da mudan\u00e7a. J\u00e1 tinha folheado e lido alguns cap\u00edtulos, mais para dizer ao pai que leu do que por curiosidade. Agora era diferente! Ela precisava do que estava ali.<\/p>\n<p>Aconchegou-se entre as cobertas e deu in\u00edcio ao seu estudo: como domar um quase garanh\u00e3o negro, tendo apenas 10 anos, nenhuma experi\u00eancia, muito medo e uma paix\u00e3o enorme por aquela montanha de m\u00fasculos. Adormeceu sobre o livro.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos dias foram divididos entre escola, r\u00e1pidas brincadeiras com as crian\u00e7as da fazenda e longas horas de observa\u00e7\u00e3o ao cavalo. N\u00e3o se atreveu mais a entrar no barrac\u00e3o, viu que foi uma loucura, pois n\u00e3o conhecia o animal e poderia ter se machucado.<\/p>\n<p>O que acontece nos filmes \u00e9 uma coisa, na vida real \u00e9 outra, bem diferente.<\/p>\n<p>Percebeu que um dos pe\u00f5es da fazenda vinha quase todos os dias tratar do cavalo. Trazia ra\u00e7\u00e3o, feno e recolhia as fezes. Como ele fazia? Chamava o cavalo para o cercado, e colocava cenouras no coxo por uma abertura na parede. Enquanto ele comia puxava uma corda que fechava o cercado que o deixava preso. O pe\u00e3o entrava pela porta da frente e limpava o barrac\u00e3o, juntando os excrementos e lavando os coxos e enchendo de ra\u00e7\u00e3o muitas vezes ficava observando o cavalo e admirando a sua beleza. Depois sa\u00eda e abria o cercado.<\/p>\n<p>Um dia Melany foi atr\u00e1s dele e perguntou do cavalo. O pe\u00e3o foi resistente em falar, mas era uma menina e foi contando:<\/p>\n<p>-\u00c9 do patr\u00e3o. Nasceu aqui. Tem 3 anos e \u00e9 filho da \u00e9gua que o filho dele montava. A \u00e9gua pariu no dia que o filho dele foi embora, e ela morreu logo depois. Ningu\u00e9m nunca conseguiu domar esta fera. S\u00f3 eu venho tratar. O patr\u00e3o n\u00e3o deixa mais ningu\u00e9m vir aqui depois que n\u00e3o conseguiram domar o bicho. Disse que ele vai ficar a\u00ed at\u00e9 morrer. D\u00e1 uma pena!<\/p>\n<p>Melany foi pensativa para casa. Realmente era uma hist\u00f3ria triste. Sentou-se \u00e0 frente do computador e passou a pesquisar sobre cavalos indom\u00e1veis. Viu v\u00eddeos do casal do Mato Grosso que d\u00e1 aulas para os pantaneiros; de Doma \u00cdndia de v\u00e1rias partes do Brasil e do mundo; Doma Tradicional, a famosa judia\u00e7\u00e3o com chicote, varas, saco na cabe\u00e7a, amarrando as pernas, e mais algumas aberra\u00e7\u00f5es que fizeram a menina chorar na frente da tela. Pronto! Ela j\u00e1 estava satisfeita. Com as anota\u00e7\u00f5es no seu caderno, poderia come\u00e7ar a trabalhar.<\/p>\n<p>A sua maravilha negra n\u00e3o tinha nome, ent\u00e3o resolveu batiz\u00e1-lo: Czarny, negro em polon\u00eas, era o nome do galo da av\u00f3, assim ningu\u00e9m iria desconfiar com quem estava brincando \u00e0 tarde.<\/p>\n<p>Todo dia fazia seu trabalho de conquista e aproxima\u00e7\u00e3o com Czarny. Abriu uma fresta maior na portinha onde cabia toda a sua cabe\u00e7a para dentro do barrac\u00e3o, arrumou uma cadeira com as toras e uma cobertura com um maderite, para os dias de sol e chuva.<\/p>\n<p>Ficava ali, conversando com o cavalo enquanto ele corria, pulava, comia, bufava, coiceava, investia contra a parede. Um dia levou cenouras e jogou l\u00e1 para dentro. O cavalo nem ligou. No dia seguinte notou que ele comeu. Jogou mais perto, cada dia mais perto. At\u00e9 que um dia, com toda a coragem do mundo, ficou segurando uma enorme cenoura no buraco.<\/p>\n<p>Czarny pegou a cenoura enquanto ela recolhia a m\u00e3o rapidamente.<\/p>\n<p>Levou ma\u00e7\u00e3s, rabanetes, beterrabas, goiabas, cada dia uma fruta ou verdura diferente. Czarny ficava esperando pela guloseima do dia. Cavalos aprendem r\u00e1pido. Crian\u00e7as tamb\u00e9m. Ela n\u00e3o deixava de pesquisar na internet. Pediu que o pai comprasse os outros livros de Monty Robert e mais alguns com temas relacionados.<\/p>\n<p>Cada vez que pegava as frutas e verduras na cozinha dizia que iria levar para o Czarny. A m\u00e3e achava que ela havia encontrado um galo igual ao da av\u00f3 e agora estava alimentando-o e at\u00e9 ajudava a montar a cesta. Chegou a perguntar onde estava o Czarny, a cor e de quem era e a menina respondeu a todas a tudo sem mentir:<\/p>\n<p>&#8211; Ele fica preso no barrac\u00e3o grande l\u00e1 perto do rio, \u00e9 inteiro preto e \u00e9 do patr\u00e3o. Sabia que ele n\u00e3o deixa ningu\u00e9m tirar o coitado de l\u00e1?<\/p>\n<p>Passou o outono, o inverno e Melany estava cada vez mais amiga do gigante negro. Agora j\u00e1 podia entrar no barrac\u00e3o pela portinha e sentar-se pelo lado de dentro sem perigo algum. Algumas vezes arriscava-se a andar rente \u00e0 parede e a ficar em p\u00e9, frente a frente com ele. Um dia foi ao galp\u00e3o dos pe\u00f5es e surrupiou uma cabe\u00e7ada bem velha. Levou para casa e lavou bem, nem sabia porque estava fazendo isso, era instintivo.<\/p>\n<p>Colocou um caixote perto da portinha, assim, subindo nele, ficava na altura da cabe\u00e7a do cavalo. Mais alguns dias e conseguiu colocar a cabe\u00e7ada. Outros dias e j\u00e1 agradava a testa e at\u00e9 as orelhas. O tratador nem reparou que ele estava com a cabe\u00e7ada, pois prendia o cavalo no cercado cada vez que fazia a limpeza e nem se atrevia a chegar perto.<\/p>\n<p>Mais um furto e Melany arranjou um cabo. Com a troca de carinho e conversa, prendeu o cabo curto na cabe\u00e7ada. Czarny estranhou no in\u00edcio, pois a ponta batia-lhe no meio da coxa e a cada balan\u00e7o ele levava um susto. Levou uns dois dias para ele se acostumar. Melany come\u00e7ou a puxar delicadamente pelo cabo, ao mesmo tempo que acariciava-lhe a testa. Quando o seu comando de esquerda e direita era aceito sem solavanco, ela agradava.<br \/>\nDesceu do caixote e passou a andar pelo barrac\u00e3o, agora sem medo. \u00c0s vezes parava e o cavalo parava tamb\u00e9m. Pegou o cabo e ele deixou, andou com ele, puxando pelo cabo, por todo o barrac\u00e3o, conversando, parando, fazendo carinho na testa, nas orelhas, no pesco\u00e7o nas coxas.<\/p>\n<p>O tratador naquele dia resolveu vir cuidar do cavalo mais cedo e chegando perto do barrac\u00e3o escutou as risadas da menina. Ficou aflito e correu para a janela do cercado. N\u00e3o acreditou no que viu: uma menina de longos cabelos caminhando tranquilamente DENTRO do barrac\u00e3o, puxando aquela fera por um curt\u00edssimo cabo preso a uma cabe\u00e7ada colocada no cavalo?<\/p>\n<p>Primeiro: quem colocou a cabe\u00e7ada no cavalo mais xucro da fazenda? Segundo: desde quando este monstro aceita ser conduzido por algu\u00e9m? Terceiro: como ela est\u00e1 viva ainda?<br \/>\nO tratador ficou ali horrorizado olhando a cena. A menina andava, parava, conversava com o xucro, ele abaixava a cabe\u00e7a, ela acariciava a testa e as orelhas dele, eles andavam mais um pouco, ela ria. Depois de uns minutos, a menina deu um beijo no cavalo, tirou uma ma\u00e7\u00e3 de um pacote e ficou segurando, o cavalo pegou com os l\u00e1bios sem nem encostar nas m\u00e3ozinhas dela. A menina desapareceu por uma pequena porta e o cavalo transformou-se no monstro novamente. Pulava, coiceava, bufava e corria pelo barrac\u00e3o. Era outro cavalo. O rapaz assobiou chamando por ele e ele jogou-se contra a parede da janela. O tratador fechou o cercado, trancando a fera. Fez o seu servi\u00e7o ainda n\u00e3o acreditando no que tinha visto.<\/p>\n<p>No dia seguinte foi l\u00e1 para ver se a mesma coisa acontecia novamente. Esgueirou-se entre as folhagens e ficou espreitando pelas frestas. E l\u00e1 estava a menina, sentada no caixote brincando com as orelhas daquele brutamontes. Desta vez ela estava com um cabo mais comprido, bem comprido que depois de trocar pelo curto, colocou um caixote no meio do barrac\u00e3o, subiu nele e ficou rodando com o cavalo, como em um redondel. O monstro obedecia, parecia um p\u00f4nei. Nem uma corcoveada, nem um coice, nem uma bufada. Nada. A menina ria, conversava, virava para a esquerda, para a direita, mais perto, mais longe. Depois, o cavalo ganhava frutas, um beijo e ela ia embora e ele se transformava na fera de sempre.<\/p>\n<p>Assim foi por longos dias, o tratador n\u00e3o contou a ningu\u00e9m, com medo de ser repreendido por ter deixado uma menina aproximar-se do cavalo do patr\u00e3o. Era melhor dizer que n\u00e3o sabia de nada.<\/p>\n<p>Um dia ele viu o acidente.<\/p>\n<p>Naquele dia ensolarado de setembro, ela puxou o cavalo o mais perto do caixote e acariciando as pernas, o pesco\u00e7o jogou-se de atravessado sobre o cavalo. Czarny deixou. O tratador estava aflito olhando pela fresta. Melany tinha visto tantos v\u00eddeos de Doma que achava que sabia o que estava fazendo. Fez v\u00e1rias vezes este movimento e depois montou nele. S\u00f3 tinha um detalhe: ela n\u00e3o sabia montar. Nunca havia montado. N\u00e3o sabia como ficar em cima de um cavalo, onde colocar as pernas, os joelhos, onde segurar. \u00c9 o grande problema de quem nunca montou. Assim que o cavalo deu alguns passos ela desequilibrou-se e caiu, sorte que foi sobre o feno. O cavalo nem assustou-se, apenas desviou dela e ficou ao lado. Ela estava com muita dor no bra\u00e7o, mas levantou-se e ainda teve for\u00e7as para desengatar o cabo e dar umas goiabas para ele.<\/p>\n<p>Do outro lado do barrac\u00e3o, o tratador estava branco. Ele foi correndo at\u00e9 a portinha.<\/p>\n<p>-Eu vi tudo. Voc\u00ea \u00e9 louca menina. Voc\u00ea se machucou? Ser\u00e1 que n\u00e3o quebrou o bra\u00e7o? O patr\u00e3o vai me matar quando souber que eu deixei voc\u00ea entrar a\u00ed com o monstro.<\/p>\n<p>-N\u00e3o conta nada, por favor.-Melany pede.- Czarny ainda n\u00e3o est\u00e1 pronto. Eu preciso montar ele.<\/p>\n<p>-Como \u00e9 o nome que voc\u00ea colocou nele? Zane? Voc\u00eas viraram amigos n\u00e9? Olha, n\u00e3o sei como voc\u00ea conseguiu, mas esse bicho a\u00ed \u00e9 fogo viu?- O tratador estava nervoso com a queda da menina.-Eu n\u00e3o conto nada, pode deixar.<\/p>\n<p>Em casa a menina disse que caiu no barrac\u00e3o enquanto brincava com o Czarny, novamente sem mentiras. Ficou com o bra\u00e7o roxo. Nada que alguns sprays e carinho da mam\u00e3e n\u00e3o cure, depois de muitas recomenda\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>No dia seguinte, estava l\u00e1 novamente, mas n\u00e3o tentou subir no cavalo, pois o bra\u00e7o do\u00eda. Limitou-se a pux\u00e1-lo pelo cabo curto, contando os pormenores dos cuidados da m\u00e3e.<\/p>\n<p>O tratador est\u00e1 esperando por ela na sa\u00edda, com uma proposta: queria ensinar-lhe a montar.<\/p>\n<p>Mas tinha que ter o consentimento dos pais. N\u00e3o queria confus\u00e3o para o lado dele.<br \/>\nFoi duro.<\/p>\n<p>Tanto o pai como a m\u00e3e estavam fazendo um cavalo de batalha. Mas depois de muito insistir, a persistente menina de olhos que sorriem, conseguiu. Com uma condi\u00e7\u00e3o: a m\u00e3e estaria presente em todas as aulas, com medo da menina ficar perto daqueles cavalos. Mal sabia&#8230;<\/p>\n<p>E os dias passaram. No come\u00e7o de novembro, Melany j\u00e1 trotava em qualquer cavalo que o tratador a colocasse. A m\u00e3e at\u00e9 j\u00e1 desistiu de acompanhar as aulas.<\/p>\n<p>No barrac\u00e3o, a amizade com Czarny estava cada vez melhor. Ela conseguia montar, trotar e at\u00e9 galopar. Neste tempo todo, com a ajuda de Melany, o tratador conseguiu fazer amizade com ele e entrava no barrac\u00e3o tranquilamente. Colocaram cabresto, sela e freio. As ferraduras foram trocadas com muito cuidado.<\/p>\n<p>Na tarde de um dia chuvoso daquele final de dezembro, Melany se encheu de coragem e montada no lindo cavalo, saiu do barrac\u00e3o. Todos estavam em suas casas arrumando a festa de passagem de ano, ningu\u00e9m ia notar um cavalo andando por l\u00e1.<\/p>\n<p>Era a primeira vez que Czarny sa\u00eda do barrac\u00e3o desde que o patr\u00e3o fez aquela tentativa de dom\u00e1-lo quase 2 anos atr\u00e1s. Ele estava nervoso, dava para ver pelas orelhas que se movimentavam sem parar.<\/p>\n<p>Melany, acalmava o amigo afagando o seu pesco\u00e7o e conversando com ele. A chuva ca\u00eda, escorrendo pela jaqueta imperme\u00e1vel dela e entrando em seus olhos. O pelo, a crina emaranhada j\u00e1 estava encharcada e cada vez que o cavalo balan\u00e7ava as orelhas gotinhas de chuva iam direto na boca da menina. Ela ria e fazia piadinhas. O barulho das patas nas po\u00e7as d\u2019\u00e1gua tamb\u00e9m a divertiam. Os dois foram passear l\u00e1 atr\u00e1s da planta\u00e7\u00e3o de amoras.<br \/>\nMelany estava se divertindo e o cavalo h\u00e1 muito preso tamb\u00e9m. De vez em quando apressavam o passo em meio \u00e0s \u00e1rvores baixas. Outras vezes paravam, s\u00f3 para admirar a beleza das frutas. Em uma pequena clareira com um banco, Melany parou e foi colher algumas frutinhas negras. Sentou-se no banco molhado e comia uma fruta e dava outra para o cavalo. Tudo entre risos, conversas e afagos.<\/p>\n<p>Czarny come\u00e7a a ficar nervoso e a bater com a pata no ch\u00e3o e bufar. Melany fica em p\u00e9 no banco e olha em volta segurando as r\u00e9deas. Parado em meio \u00e0s \u00e1rvores est\u00e1 um homem todo encharcado. Parecia que ele j\u00e1 estava ali h\u00e1 muito tempo. A menina monta no cavalo e j\u00e1 pensava em sair correndo dali quando o homem falou:<\/p>\n<p>-Este \u00e9 o cavalo do barrac\u00e3o? O cavalo xucro? Voc\u00ea \u00e9 a filha do Gilson?<\/p>\n<p>Ela assentiu com a cabe\u00e7a e percebeu que era o patr\u00e3o. Seu cora\u00e7\u00e3o veio na boca. Medo. E agora? Ser\u00e1 que ele iria ficar t\u00e3o bravo a ponto de despedir o pai dela?<\/p>\n<p>O cavalo n\u00e3o parava. Pisoteava a lama, andava em c\u00edrculos. Melany abra\u00e7ou o pesco\u00e7o dele, fez carinho nas orelhas e ele acalmou-se.<\/p>\n<p>O homem sentou-se no banco molhado. Seu rosto era triste. A chuva j\u00e1 havia parado, mas as l\u00e1grimas continuavam a rolar pela face, ensopando mais o colarinho da camisa azul.<\/p>\n<p>-Meu filho gostava de vir aqui. Ele tinha dois caixotes de madeira neste lugar. Para sentar, comer amoras e ma\u00e7\u00e3s no ver\u00e3o, mimosas no inverno e depois usava o caixote para poder subir na \u00e9gua. Os dois ficavam horas neste lugar. Por isso mandei fazer este banco, em homenagem aos dias felizes que meu filho passou aqui na fazenda. Olhe.<\/p>\n<p>O homem triste passou a m\u00e3o no banco tirando as folhas para mostrar a inscri\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cO menino que sonhava com um cavalo viveu anos felizes com sua Jinflor\u201d ao lado de um desenho de um menino montado em um cavalo negro.<\/p>\n<p>-Este cavalo \u00e9 filho da \u00e9gua Jinflor. Ele nasceu nervoso, nunca conseguimos dom\u00e1-lo. Todos os pe\u00f5es tentaram e ningu\u00e9m conseguiu. Resolvi deix\u00e1-lo preso para sempre, igual a minha dor pela perda do meu filho. Sempre vou l\u00e1 ver esse cavalo e tenho a impress\u00e3o que \u00e9 uma mensagem dele para mim. E hoje vejo voc\u00ea aqui, no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas, com o mesmo cavalo&#8230;-O homem chora copiosamente com o rosto entre as m\u00e3os.<\/p>\n<p>A menina larga as r\u00e9deas e vai at\u00e9 ele. Seus bra\u00e7os o envolvem em um carinho sincero. Ela ficou comovida. N\u00e3o sabia da hist\u00f3ria, apenas foi andando pelos caminhos das \u00e1rvores e aquele lugar \u00e9 t\u00e3o bonito que sentiu vontade de sentar e ficar ali com seu amigo, comendo as frutas e conversando.<\/p>\n<p>-O senhor n\u00e3o est\u00e1 bravo por eu ter tirado o Czarny do barrac\u00e3o e por eu ter vindo aqui?<\/p>\n<p>-N\u00e3o, minha pequena, claro que n\u00e3o. Voc\u00ea conseguiu uma proeza \u00edmpar. N\u00e3o sei o que voc\u00ea fez, mas domar esse cavalo foi a coisa mais espetacular que eu j\u00e1 vi. Como \u00e9 o nome que voc\u00ea deu para ele? Czarny, negro. Pois este ser\u00e1 o nome dele, do seu cavalo.<\/p>\n<p>O homem triste mudou a fisionomia. Olhou para a menina e a abra\u00e7ou, agradecendo.<\/p>\n<p>Chegou perto do cavalo e o afagou na testa. Os dois ficaram ali agradando o cavalo e conversando animadamente. Ela contou que tamb\u00e9m sonhava com um cavalo. O enorme animal estava tranquilo, aquele homem n\u00e3o era amea\u00e7a, era amigo.<\/p>\n<p>Para o patr\u00e3o, o cavalo fora do barrac\u00e3o, domado, nas m\u00e3os de uma crian\u00e7a era a mensagem do filho que foi embora: \u201cquem sonha com cavalo s\u00f3 pode ter amor no cora\u00e7\u00e3o e nas atitudes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">FIM<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-14967\" src=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho2.jpg\" alt=\"menina_sonho2\" width=\"1000\" height=\"284\" srcset=\"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho2.jpg 1000w, http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho2-300x85.jpg 300w, http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho2-500x142.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><em>Conto de Neyd M.M.Montingelli.<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Neyd nasceu e mora em Curitiba, casada, tem 4 filhas e 1 neto, formada em Psicologia, com especializa\u00e7\u00f5es em Nutri\u00e7\u00e3o, Queijos, Leite e outros cursos na \u00e1rea de animais. J\u00e1 teve cria\u00e7\u00e3o de Cabras e um Latic\u00ednio. \u00c9 aposentada pela Caixa Econ\u00f4mica e agora escreve sobre a fam\u00edlia, cr\u00f4nicas e contos tendo 8 livros j\u00e1 publicados.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><strong>Fotos: Jota Design por JuRibas<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Modelos: Beatriz Mohr e Luck Jolly<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Hipismo&amp;Co agora tem uma se\u00e7\u00e3o de contos escritos pela colaboradora Neyd M.M.Montingelli. O primeiro conto \u00e9 sobre uma menina que sonhava em ter um cavalo. A Menina que sonhava com um cavalo -Sonhei com um cavalo preto brilhante que estava na praia e a \u00e1gua espirrava enquanto ele galopava pelas ondas. Eu chamei e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14966,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[1685,1887],"tags":[1888,1804],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/menina_sonho11.jpg","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p2OUwu-3T5","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14947"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14947"}],"version-history":[{"count":8,"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14947\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14949,"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14947\/revisions\/14949"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14966"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hipismoeco.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}